a internet e a nossa projeção de imagem

Não é novidade alguma que a internet rompeu fronteiras e nos trouxe infinitas possibilidades de acesso a conteúdos diversos, não só na moda. Transformou diretamente nossa vida fazendo com que hoje a gente possa estar do outro lado do mundo sem nem sair de casa, uma prova disso são os números do acesso a internet e smartfones no Brasil.
 
Só em 2015 éramos o terceiro país que mais passava tempo na internet, enquanto 39% da população brasileira já estava conectada a dispositivos móveis segundo a agência de marketing We Are Social. Pode parecer pequeno se comparado com países como Japão e Estados Unidos, mas a essa altura do campeonato é impossível negar, vivemos conectados!
 
Se por um lado, a internet nos deu a chance de por conta própria desbravar diferentes culturas, buscar novas inspirações e nos atualizar de uma maneira mais rápida e democrática, do outro lado já sentimos o impacto dessa quantidade ininterrupta de informações nos afetando.
 
Basta puxar na memória para lembrar que Andy Warhol, o pai da Pop Art, disse que um dia todas as pessoas teriam seus 15 minutos de fama, mas se tivesse vivo Andy se surpreenderia com o BBB da vida real (com direito a pay per view e tudo mais) que a nossa rotina se transformou.
 
Com o celular em mãos e a internet conectando inúmeros aplicativos compartilhamos pormenores da nossa vida transformando os nossos amigos (ou seriam seguidores?!) em meros telespectadores e no vai e vem de comentários, likes e inocentes stalkeadas toda projeção de imagem acontece de maneira inofensiva.
 
Ou não.
 
Não é de hoje que as pessoas tem curiosidade sobre a vida umas das outras, mas com o boom dos blogs, da acessibilidade ao conteúdo, da facilidade em transformar a própria vida num reality show editado (e em alguns casos também cheio de filtros!) e tudo isso ganhando um viés lucrativo percebemos que não basta simplesmente ter fotos de momentos incríveis em lugares mais incríveis ainda com pessoas que você ama, o feed precisa estar organizado, em sincronia e bem pensado, como a vida de uma grande parte dessas pessoas é.
 
O look do dia, o sapato do dia, o acessório do dia, o batom do dia, o creminho do dia, a “decór escandinava” do dia, todos organizados metodicamente no que se tornou uma espécie de vitrine virtual com cara de comercial de margarina versão 2.0.
 
Seguindo a máxima da nossa geração onde mais importante do que SER e TER, é MOSTRAR alinhada a máxima do gramado do vizinho sempre parecer mais verde, vemos nossas inspirações ganhando uma carga de frustração tão grande que um simples painel no Pinterest pode virar nosso maior pesadelo.
 
Não é de se espantar que toda essa quantidade de informações e imagens acabe impactando na forma como nos enxergamos, como vemos nossa vida e como projetamos nossa imagem, em contrapartida a todo esse acesso viramos reféns do feedback imediato. 
 
Veja bem, não tem nada de errado em fazer dinheiro com redes sociais, nem em viver uma vida cheia de filtros ou ter o feed organizado, a decisão é sua, mas a gente precisa entender que não se faz necessário nivelar nossa nada mole vida, nossas experiências ou nossa imagem com a de mais ninguém.
 
Inspirações não devem virar fantasia, nem frustrações e muito menos pautar nossas decisões como uma verdade absoluta ou uma única forma possível de existir nesse admirável mundo novo.
 
A internet pode parecer a doença, mas também é a cura, por isso cabe a cada um de nós filtrarmos toda e qualquer informação, alinharmos as expectativas e pararmos de comparar a vida com a das outras pessoas buscando inspiração no nosso próprio dia a dia, na nossa própria existência e nas nossas próprias referências.
 
No final nossa foto pode estar fora dos padrões do Pinterest, mas farão parte das memórias e referências que nós realmente precisamos guardar e são exatamente elas que moldam, costuram e ajustam muito do que somos e que acabam diretamente ou indiretamente interferindo em como nos enxergamos e como nos vestimos.
 
Seja livre para buscar inspirações onde for, desde que elas sejam referências sadias e não pura e simplesmente uma forma de nos transformar num copy & paste da vida real!
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